PROGRAMAÇÃO DO CICLO DE REIS DESTE ANO

O Ciclo de Reis 2018 de Juazeiro do Norte tem início na próxima sexta-feira, dia 21. A abertura acontecerá com um grande cortejo dos grupos de tradição, a exemplo do ano passado, com concentração na Praça Dirceu Figueiredo, a Praça da Prefeitura, a partir das 16h, e percorrerá a Rua São Pedro, prosseguindo pela rua São Francisco, finalizando na Praça do Cinquentenário, no Largo do Memorial Padre Cícero. A programação prossegue diariamente (com exceção do dia 01 de janeiro) até o dia 06 de janeiro de 2019. Serão mais de 25 apresentações realizadas em diversas terreiradas. Ao todo, serão envolvidos 45 grupos da tradição popular entre reisados, lapinhas, guerreiro, banda cabaçal, maneiro pau, mamulengo, bacamarteiros e coco. Todas as terreiradas tem início previsto para às 18h. Além das apresentações, os brincantes serão mobilizados para participar de intercâmbios e oficinas para as pessoas que queiram conviver com os mestres da tradição. De acordo com as estimativas da Secretaria de Cultura, o Ciclo de Reis beneficiará diretamente cerca de 3 mil pessoas entre artistas, brincantes e trabalhadores da cultura. Ao todo, a Prefeitura de Juazeiro do Norte investirá neste ano mais de R$ 190 mil, que serão utilizados para a organização dos terreiros, onde acontecerão as festas. Programação Ciclo de Reis 2018/2019 25/12/18 Auto Natalino “ O Baile do Menino Deus” – Comunidade Zaíla Lavor Largo do Memorial Padre Cícero Convidada: Mestra Margarida – Guerreiro Santa Joana D’arc Largo do Memorial Padre Cícero 26/12/18 Mestre Zezim Cara de Ralo – Reisado Santa Luzia Rua Antônio Lobo Menezes – José Geraldo da Cruz 27/12/18 Mestra Lúcia – Reisado Estrela Guia Rua João Conrado Cruz, 263 – João Cabral. 28/12/18 Mestre Mosquito – Reisado Nossa Senhora das Dôres da Igreja de Nossa Senhora das Candeias – Frei Damião Mestre Tico Barbosa – Reisado São Francisco Sítio Popô – Residência do Mestre 29/12/18 Mestre Luiz – Reisado São Luiz Rua José Bezerra de Menezes, 146 – Vila Nova Mestre Cosmo – Guerreiro Nossa Senhora Aparecida Rua Ana Rita de Sousa – Terreno da Igreja João Paulo II 30/12/18 Mestra Flatenara – Reisado Mirim Santo Expedito Rua 1º de Maio, 27 – Pio XII Mestre Dodô – Reisado São Francisco Rua Farias Brito, 480 – Romeirão 01/01/19 Sem Atividade 02/01/19 Mestra Iara – Guerreiro Santa Madalena Rua Farias Brito, 1251 – João Cabral 03/01/19 Mestra Margarida – Guerreiro Santa Joana D’arc Núcleo de educação, arte e cultura Marcus Jussier – Pirajá 04/01/19 Mestre Francisco Lourenço – Reisado do CRI Centro de Referência do Idoso Mestre Cicinho – Reisado Manoel Messias Rua 1º de Maio, 27 – Pio XII 05/01/19 Mestre Tarcísio – Reisado São Miguel Tv. Pio Norões, 29 – João Cabral Mestre Antônio – Reisado Discípulos de Mestre Pedro Rua Senhor do Bonfim, 567 – João Cabral LAPINHAS Dia 25 LAPINHA SANTA CLARA – MESTRA VANDA Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, 19h. LAPINHA MENINO JESUS – MESTRA TOUTA Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, 19h30. LAPINHA MENINO JESUS DE PRAGA – MESTRA ANTÔNIA Igreja Menino Jesus de Praga, Novo Juazeiro, 19h. LAPINHA TRÊS REIS MAGOS – MESTRA ZEFINHA Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – 19h. Dia 26 LAPINHA BOM JESUS DO HORTO – MESTRA DORINHA Igreja Bom Jesus do Horto, Horto 19h.
ÚLTIMA MISSA DO PADRE CICERO EM 2018 COM PRESENÇA MACIÇA DE ROMEIROS

A última missa do Padre Cicero no ano de 2018 contou com publico surpreendente que lotou todas as dependências do Largo do Socorro, na cidade de Juazeiro do Norte/CE. O evento que acontece todo dia 20 de cada mês, sempre às 06:00h, reúne milhares de fiéis, a maioria romeiros de todas as partes do país. A missa do dia 20 ou missa do Padre Cicero, há mais de 10 anos também é transmitida ao vivo por um pool de emissora de rádio e TV pata todo país. O Bispo diocesano de Crato, D. Gilberto Pastana presidiu a celebração, ao lado de vários padre das paróquias do Ceará e de outros estados.Padre Cicero faleceu no dia 20 de julho de 1934, e, desde sua morte, uma missa é celebrada a cada mês em seu louvor. Seus restos mortais estão sepultados dentro da Capela de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, um dos locais mais visitados pelos romeiros que todos os anos visitam Juazeiro do Norte. Estima-se que anualmente mais de 2 milhões de romeiros visitam a terra do Padre Cicero, conhecida por muita gente como a “terra da fé, oração e trabalho”. A fé e a devoção a Padre Cicero vem crescendo ano a ano, mesmo diante de toda perseguição sofrida pelo padre cearense em vida.Para muitos, visitar Juazeiro do Norte faz parte de uma tradição familiar que vem do Século XIX. Segundo o romeiro pernambucano de Caruaru, Genival Souza Ferreira, 78 anos, desde menino vinha com seus pais a Juazeiro e já perdeu as contas que quantas vezes veio visitar o Padre Cicero. “Hoje vim com meus dois filhos e dois netos e só deixo de participar das romarias quando morrer”, afirma Genival, ressaltando que “muitas graças foram alcançadas aqui com meu padrinho Ciço e com Nossa Senhora das Dores”. Como sempre acontece no final e cada ano, a presença maciça de romeiros em Juazeiro é muito grande, iniciando-se no dia 18, com fluxo continuo até 20 de janeiro, dia de Sāo Sebastiāo e de mais uma missa do Padre Cicero. Sāo muitos os romeiros que gostam de passar as festas natalina visitando Juazeiro do Norte e muitos ficam até o inicio do ano novo.
FÉ NO PADRE CÍCERO TRANSFORMA JUAZEIRO EM UM GRANDE SANTUÁRIO

ENTRE OS PRINCIPAIS NOMES DE DEVOÇÃO DO CEARENSE, OCUPANDO O QUARTO LUGAR, SEGUNDO O INSTITUTO OPNUS, “PADIM”, COMO É CARINHOSAMENTE CHAMADO PELOS ROMEIROS, É UM FENÔMENO QUE ULTRAPASSA OS DOGMAS DA IGREJA CATÓLICA Nas paredes das casas, na barraca do vendedor ambulante ou na porta de cada loja. A figura do Padre Cícero está presente em todos os lugares de Juazeiro do Norte. Até as grandes redes nacionais do comércio, quando desembarcam na cidade, aderem ao costume de colocar um símbolo do sacerdote eu seu estabelecimento. Hoje, somente nas próprias igrejas o “padrinho” não está presente, pelo menos, nos altares. “Terra de oração e trabalho”, a fé se confunde com o crescimento econômico e urbano que o Município teve nas últimas décadas. Antes de se tornar terra de “trabalho”, Juazeiro do Norte primeiro foi lugar de “oração”. E isso está em cada local da cidade, onde romeiros espontaneamente criam seus “rituais” e manifestam sua devoção ao Padre Cícero. No Santuário dos Franciscanos, por exemplo, o ônibus que traz os visitantes costumar dar três voltas buzinando ao redor da estátua de São Francisco. Cada giro é um agradecimento ao “Pai”, “Filho” e “Espírito Santo”. É uma espécie de saudação a terra que consideram santa. Um costume inexplicável. “O romeiro santifica Juazeiro”, justifica o frei Raimundo Barbosa. No mesmo Santuário dos Franciscanos, outra tradição é fazer o “passeio das almas”, percurso de cerca de 300 metros, no largo da Paróquia. Além disso, a água de uma gruta, atrás da Igreja, é tida como benta e os fiéis carregam consigo para sua casa. Já na Colina do Horto, os romeiros costumam dar sete voltas ao redor do cajado da estátua do Padre Cícero para fazer pedidos ao santo. “É também um momento de agradecimento. Aprendi com meus pais”, explica a agricultura Juliana Santos, romeira de Coruripe (AL). Cerca de 3 quilômetros da estátua, fica o Santo Sepulcro, que se tornou um pequeno santuário em meio as pedras. Os romeiros acreditam que este foi o local escolhido pelo Padre Cícero para seu retiro espiritual. Lá, é muito visitado, principalmente, na sexta-feira da Paixão, onde o devoto se espreme em meio as rochas para tentar se “purificar”. Dizem que os mais pecadores não conseguem ultrapassar. Ainda a Colina do Horto, fica o Museu Vivo do Padre Cícero, que recebe, diariamente, incontáveis itens como ex-votos, fotografias e camisas, frutos de graças alcançadas. Na Casa de Milagres, no Largo da Capela do Socorro, e a Casa Museu, onde morou o Padre Cícero, também são deixadas diversas lembranças por causa de promessas. O próprio túmulo do sacerdote também é alvo de devoção. “O romeiro não fica em um só espaço, ele percorre toda cidade. A cidade é tida como um lugar sagrado. Hoje, a fé se estende para outras igrejas”, descreve padre Cícero José da Silva, pároco da Basílica de Nossa Senhora das Dores. Para o sacerdote, os fenômenos das romarias para Juazeiro do Norte agora são fenômenos permanentes, que acontecem ao longo do ano e que cresce ainda mais porque na cidade os fiéis se sentem acolhidos. Ele também acredita que estes locais se tornaram centros de visitação, porque o romeiro gosta de vivenciar a experiência de percorrer o caminho que o fundador da cidade fez e isso se repete a cada romaria. “É um reabastecimento de sua fé”, acrescenta Padre Cícero José. Histórico 1889 Durante a comunhão da beata Maria de Araújo a hóstia verte sangue. O suposto milagre começa a atrair romeiros 1894 O Vaticano considera que houve fraude e reprova os fatos em Juazeiro como “gravíssima e detestável irreverência e ímpio abuso à Santíssima Eucaristia” 1897 Padre Cícero recebe a portaria de excomunhão caso não se retire de Juazeiro 1898 Padre Cícero apresenta sua defesa e é absolvido das censuras. No entanto, fica proibido de falar ou escrever sobre o “milagre da hóstia” 1922 Pedido de reabilitação de Padre Cícero é negado pelo Papa Leão XIII 2001 É criada uma comissão para estudar os fatos de Juazeiro 2006 O resultado da análise é entregue ao Santo Ofício com uma petição assinada por 254 bispos para a reabilitação de Padre Cícero 2015 O Secretário de Estado do Vaticano assina a carta de “reconciliação histórica da Igreja com o Padre Cícero”
SOLENIDADE DE ENTREGA DE CERTIFICADOS DO CURSO DE AGENTE DE INFORMAÇÕES TURÍSTICAS

A solenidade aconteceu no último dia 19, segunda, às 19h no Horto do Padre Cícero, houve também a entrega de presentes e um jantar. Os alunos Hamilton, Leandra, Vanessa e Vinícius apresentaram um trabalho como resultado do curso, eles construíram duas maquetes que reproduzem as Romarias que acontecem na cidade de Juazeiro do Norte. A primeira representa: o Centro, a Igreja Matriz no Socorro, a Igreja dos Salesianos e Franciscanos. A segunda: a Colina do Horto, a Igreja do Bom Jesus do Horto e o Museu do Padre Cícero. O intuito do curso foi aprofundar o conhecimento sobre turismo de Juazeiro na comunidade do Horto, para os próprios moradores que ali habitam. Teve duração de 2 meses, foi ministrado pelo professor Antônio Carlos e contou com o apoio da Fundação Educativa Salesiana Padre Cícero. “O Sistema Preventivo de Dom Bosco é de cuidar dos jovens, das crianças e principalmente, daquelas pessoas que estão em situação de risco”. O Padre Cícero ajudou no desenvolvimento social de Juazeiro e principalmente das pessoas que moram na Colina do Horto. Segundo Carmina: “A Colina do Horto é o miolo do Cariri”! e “a preocupação dos Salesianos é de trabalhar a infraestrutura, a melhoria e o acolhimento dos romeiros”. Pensando nisso e em tirar os jovens da marginalidade, oferecemos este curso. O outro principal objetivo é de implantar e ensinar as Políticas Públicas para toda a comunidade, para depois reivindicar junto às autoridades da cidade as melhorias necessárias para a Colina do Horto. Pois a busca pelo conhecimento é um investimento próprio.
A FESTIVA DEVOÇÃO À MÃE DAS DORES E AO “PADIM CIÇO”

No ano santificado pela misericórdia, tendo o Padre Cícero reconciliado pela Igreja Católica, o ciclo do calendário romeiro ganhou uma expressão ainda mais significativa e que compreende um tempo muito particular em Juazeiro do Norte. Para os fiéis, vindos das mais longínquas regiões do Nordeste e do país, setembro é mês de dias intensos, de encontros que envolvem fé, alegria, festejos e sentimentos profundos. Do Horto do Padre Cícero, adentrando ao Museu Vivo, embora contando já quarenta e seis viagens, o sergipano Eloy Alves de Santa, 75, não perde a capacidade de se emocionar: – É Santo, Santo! – Exclama, elevando as mãos ao céu, cada vez que “espia” a estátua do seu padrinho. A Romaria de Nossa Senhora das Dores, que leva à Colina do Horto milhões de pessoas, repete um ritual festivo incentivado pelo próprio Padre Cícero, cujos significados fogem à compreensão humana, exceto pela ótica da fé. “Aqui é um chão santo. O Padre Cícero atraia os romeiros pra cá e os ensinava a rezar. Então, o balanço que a gente faz desses dias [de Romaria] é positivo, independente de números, porque a gente percebe que romeiro, realmente, vem depositar a sua fé. Eles têm uma devoção imensa”, ressalta a administradora do Horto, Carmina Freitas. Os festejos em louvor à Mãe das Dores revelam-se, assim, como uma das manifestações mais significativas das expressões da devoção romeira. Para o pernambucano Antônio Luís, 76, é até mais do que uma expressão de fé, é “a própria vida da gente”.
ROTEIRO DA FÉ ROMEIRA

O primeiro destino, depois de dar voltas no cajado do Padre Cícero e fazer visita ao Museu Vivo, é a trilha do Santo Sepulcro. A estrada é de chão batido, um percurso longo, cheio de pedras e areias, como no bendito dos romeiros. No dia em que a Liturgia da Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz, o pernambucano Francisco José dos Santos, de 68 anos, levou a filha e o genro para agradecer o precioso dom da sua saúde. A penitência de Seu Francisco é um gesto revelador da sua vitória sobre uma grave enfermidade que lhe comprometeu todos os movimentos do corpo. Nas visitas ao Horto, ele demonstra o maior sinal da sua devoção à Mãe das Dores e ao seu padrinho Padre Cícero. – Quando eu me vi deitado naquela cama, eu lembrei dessa caminhada aqui. Eu disse para os meus parentes: eu tenho que ir no Juazeiro, tenho que ir! E veio. Hoje, completamente curado, deixa um recado para os companheiros de romaria: – Quem vem a Juazeiro, depois de ir no Cajado do Padre Cícero, tem que vir aqui e passar pelo Santo Sepulcro”. Cercado de pedras, das mas variadas formas e modelos, o local lembra o mesmo sepulcro onde depositaram o corpo de Jesus, após a crucificação. Para chegar até lá, é preciso, antes de tudo, muita fé e disposição, orienta seu Francisco. A trilha de acesso compreende 2.650 metros. O Santo Sepulcro é o local onde foi enterrado um dos beatos que viveram na época do Padre Cícero e apresenta duas capelinhas, onde os romeiros acendem velas e fazem suas preces. Para aqueles que apreciam fotografias, há diversos mirantes de paisagens naturais, além da vista monumental da estátua do Padre Cícero e a Igreja Bom Jesus do Horto. Para Seu Francisco, a experiência da caminhada sempre o faz mais fortificado, pela imensidão da grandeza de Deus, materializada na natureza.
OBJETOS DE DEVOÇÃO: SINAIS VISÍVEIS DA NOSSA FÉ

A primeira coisa que dona Maria Justina fez ao chegar à Colina do Horto foi comprar um rosário e mandar o padre “benzer”. Para ela, o rosário é uma forma de testemunhar sua fé e sua devoção à Mãe das Dores, tão incentivada pelo Padre Cícero. O costume de abençoar objetos de devoção como velas, crucifixos, medalhas, terços, escapulários, imagens do Senhor, da Virgem e de santos, é antigo. Para a Igreja, eles são considerados “sinais visíveis da fé”, recursos auxiliares para unir, ainda mais, o cristão a Deus, estimulando, desse modo, o progresso da fé. O Padre Mariano, da Congregação Salesiana, explica que a bênção concede aos fiéis o uso dos objetos como sinais de fé e piedade. “É um gesto de amor e devoção quando você tem algo abençoado por Deus, pelas mãos do padre”, disse. Na Colina do Horto, os objetos de devoção são abençoados, sempre, ao final da Santa Missa.
A ESPERANÇA NO “PADIM”

Quando a filha mais velha da pernambucana Michele Maria da Silva nasceu, uma notícia transpassou seu coração de mãe. Ela ouvira do médico que a criança, acometida por uma anemia falciforme, não vingaria muito tempo. Mas ela não se abateu. Recomendou a menina ao Padre Cícero e a Mãe das Dores e viu, com esperança e fé, a filha sobreviver. Na manhã desta segunda-feira, dia 12, quando o sol, imponente, brilhava no céu, Michele preparou as filhas com vestes que lembravam uma batina e, juntas, subiram às escadas para tocar, com os olhos e o coração, o cajado daquele que as “acudiu” na aflição.