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Horto

Romaria de 92 anos de vida eterna do Padre Cícero Romão reúnemilhares de fiéis na Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Antes do amanhecer, a fé e devoção ao Servo de Deus Padre Cícero
Romão Batista, já reunia milhares de devotos na Capela Nossa Senhora do
Perpétuo Socorro, em Juazeiro do Norte – CE, para Missa de 92 anos de vida
eterna do padrinho da Nação Romeira. Entre cânticos, silêncio e devoção, os
fiéis celebraram o legado daquele que continua inspirando gerações e
fortalecendo a caminhada de quem chega a Juazeiro do Norte movido pela fé.

Presidida por Dom Magnus Henrique Lopes, OFMCap e concelebrada por
bispos e sacerdotes, a celebração marca o final da romaria, que aconteceu de
17 a 20 de julho, na Capital da Fé. “Ao celebrarmos 92 anos da Páscoa
definitiva do Servo de Deus, o Padre Cícero Romão Batista, a palavra de Deus
nos convida a voltar o coração para aquilo que realmente agrada a Deus. Cada
romaria que deixamos nossa casa, deixamos nossa terra, nós fazemos esta
caminhada e esta caminhada deve ser sempre de oração para que assim
possamos fazer aquilo que agrada a Deus”, afirmou o Bispo da Diocese de
Crato.

Ao final da celebração, o cantor Jota Farias, puxou a música “Viva Meu
Padim”, de Luiz Gonzaga, entoando que “ele está vivo, o Padrinho não está
morto”. Com as mãos erguidas, o povo de Deus se voltou para a Colina do
Horto, onde está a estátua do Padre Cícero, visível para toda cidade de
Juazeiro, e cantaram com muita fé e emoção. Em seguida, os cantores
Francisquinho e Odailson, entoaram benditos, relembrando os ensinamentos
do Servo de Deus.

Após a bênção final, os bispos presentes, dirigiram-se ao interior da
Capela do Socorro, para o túmulo do Padre Cícero, depositando uma coroa de
flores e rezando uma “Ave-Maria”, pela alma do Patriarca do Juazeiro, que
descansa na morada eterna há 92 anos.

Luto em Juazeiro – a morte do Padre Cícero Romão Batista
Com informações do historiador Roberto Júnior

No dia 18 de julho de 1934, a agonia do Padre Cícero se tornou maior.
Dores horríveis cortavam seu ventre, e há dias ele não defecava, nem se
alimentava, um quadro preocupante que forçou o ingresso de novos médicos
no caso, tendo sido o Dr. Mozart Cardoso de Alencar, o primeiro a chegar em
seu auxílio, na noite daquele fatídico dia. Além do Dr. Belém e do Dr. Mozart,
vieram ao encontro do religioso os médicos, Dr. Pio Sampaio, de Barbalha, e
Dr. Elysio de Figueiredo, do Crato, porém, nenhum conseguia solução para a
paralisia intestinal que acometia o levita.

Banhado em suor, o Padre Cícero amargava horas infindáveis de dores
que o faziam gemer e implorar, até desfalecer. Amália Xavier descreveu que as
medicações eram medidas pontuais, e que reduziam o sofrimento de Cícero
por apenas algumas horas, sofrimento esse que levou boa parte da população
da cidade a se revezar entre orações e vigílias em frente ao casarão da Rua
São José.

Por volta das cinco horas da manhã, do dia 20 de julho de 1934, teve
início a agonia final do Padre Cícero, um momento que levou até os médicos
aos prantos. Em suas últimas forças, o religioso pediu a presença do Padre
Juvenal, que lhe assegurou a absolvição, e a pedido do mesmo e do Dr. Elysio,
o Padre Cícero fez cruzes no ar, abençoando aos amigos e admiradores que o
assistiam em seus últimos momentos.

Recebeu também uma vela e um crucifixo, este último ele teria abraçado
ternamente, chamando em seguida pela Beata Mocinha, que ele tratava por
Joana (o verdadeiro nome da Beata Mocinha era Joana Tertulina de Jesus). No
leito de morte do Padre Cícero, a beata pediu a benção, e ouviu como
resposta: “No céu pedirei por todos vocês”.

Falava baixinho, quase só para si: “Meu pai, meu pai”, e assim foi
diminuindo sua respiração, e entre as orações e súplicas dos presentes, deixou
cair as últimas lágrimas de uma vida longa, e por vezes tormentosa, lágrimas
essas que foram aparadas por um lenço de Generosa Alencar, e que hoje se
encontra no acervo do Memorial Padre Cícero. Eram cerca de seis horas da
manhã, quando correu a cortante notícia de que não havia mais solução, havia
chegado ao fim a trajetória do patriarca de Juazeiro.

A cidade inteira caiu em prantos, e diante da demanda enorme de
afilhados, romeiros, amigos e admiradores, fez-se necessário colocar o corpo do Padre Cícero em uma das janelas do casarão, exposto para a rua, para que
todos pudessem ter uma última lembrança do religioso. No final da tarde, dois
aviões do exército cruzaram os ares de Juazeiro, executando manobras no céu
e derramando flores sobre o centro da cidade, aterraram em seguida, e seus
pilotos, dentre eles, José Sampaio de Macedo, afamado aviador cratense,
seguiram para o casarão onde estava sendo velado o corpo.

Na manhã seguinte, um batalhão de padres se revezou na missa de
corpo presente, executada em campo aberto na igreja matriz da cidade.
Segundo Dr. Diniz, o cortejo levou mais de uma hora para percorrer a distância
compreendida entre a casa do Padre Cícero e o templo, tendo o centro de
Juazeiro se tornado minúsculo diante da multidão. O pequenino corpo de
Cícero foi levado sobre os braços dos muitos que o queriam conduzir e tocar. É
importante citar, que, segundo Daniel Walker, foram necessários dois caixões,
pois, diante do rápido inchaço que afetou o corpo, o primeiro havia se tornado
pequeno. Por volta das 10h30, após um longo cortejo, o corpo desceu a
sepultura, no altar principal da capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro;
registrou-se nos dias seguintes fortes ventanias, e o aparecimento de bandos
de andorinhas, algo incomum para a época, assim como também o sumiço dos
tecidos e tinturas pretas das lojas da região, sinal de um luto que perdura até
os dias atuais.

Por: Thaís Cândido, jornalista da FM Padre Cícero
Com informações do historiador Roberto Júnior